domingo, 13 de março de 2011

ESPÍRITOS DA UMBANDA - PRETOS VELHOS


Ante o sucesso da série de estudos "Orixás da Umbanda",  surgiu a necessidade de prosseguir os estudos sobre nossa sagrada religião. Uma vez que os Orixás já foram comentados, é chegado o momento de falar dos espíritos, das entidades que atuam na Umbanda, que comandam nossos trabalhos e que nos trazem mensagens do plano espiritual. Buscar-se-á abordar todas as questões inerentes ao tema, deixando claro, logicamente, que o leitor possui toda a liberdade de questionar e de mandar suas dúvidas.
Que Oxalá nos ilumine! Um bom estudo a todos!

ESPÍRITOS DA UMBANDA - PRETOS 
VELHOS 
Seguindo nossa série de estudos sobre os espíritos da Umbanda, vamos tratar nesse texto de espíritos de extrema luz, humildade e sabedoria. São nossos amados e carinhosamente chamados pretos velhos.

A escravidão é, sem dúvida, uma mancha que o Brasil levará para sempre em sua história. Pouco se fala, muitos tentam esquecer ou minimizar. Mas o que aconteceu nesse país foi uma das maiores atrocidades que a humanidade já viu.

Negros da costa da África foram arrancados de seu país, de seu continente e trazidos a força  para o Brasil e demais países da América, acorrentados como animais, para prestar serviço braçal até a morte aos senhores brancos.

Tiveram suas famílias destruídas. Foram vendidos separadamente e espalhados por esse país. Crianças foram abusadas. Velhos foram mortos. Jovens eram levados para prestar serviço braçal. Apanhavam de chicote, eram mutilados, torturados. Na senzala, local onde se abrigava inúmeros negros, passavam fome, frio e padeciam de várias enfermidades. 

Se há algum povo que mereça ser para sempre lembrado com honrarias no Brasil, esse povo é, obviamente, o povo negro que aqui chegou! São eles os verdadeiros heróis de nossa nação!

Senzala - Cativeiro
Pena que muitos não reconhecem esse débito que nossa sociedade possui com os africanos. Muito se homenageia os alemães, ucranianos,  italianos e até japoneses que, certamente, também contribuiriam para o progresso do país. Mas e os africanos? Nunca se viu um presidente do Brasil pedindo desculpas aos descendentes africanos pela barbáre que nosso Estado cometeu. Nunca se viu nenhuma festa oficial para comemorar o aniversário da chegada desse povo ao Brasil! Ao contrário, continua sendo disseminado em nossa sociedade um preconceito besta e injustificável.

Claro que o Governo Federal, a partir de 2003 passou a criar políticas públicas para remediar esse débito, como por exemplo, as cotas em Universidades, que são severamente criticados por algumas pessoas "brancas". Até mesmo um Ministério de Igualdade Racial foi criado.

Mas infelizmente, o preconceito continua. Tudo o que é de origem africana ainda é visto com maus olhos por parte de nossa sociedade. 

E é justamente esse preconceito que se reflete na Religião. Por que as religiões Afro-brasileiras são as mais atacadas, difamadas e agredidas pelas seitas judaicas/cristãs? A resposta é só uma: Preconceito! O Mesmo preconceito e intolerância que existiu quando o primeiro negro aqui pisou, ainda existe, infelizmente, no coração e mente de muitos brasileiros. A idéia de que um "Deus branco" é superior e melhor do que um "Deus negro" é muito difundida em diversas "igrejas" desse país.

Podemos observar na própria história de fundação da Religião de Umbanda, que até mesmo os Centros Espíritas Kardecistas da época, repudiavam - e infelizmente ainda hoje alguns espíritas ainda repudiam - a manifestação de qualquer espírito que dissesse ter sido negro ou índio. Mas porque apenas os doutores europeus de olhos azuis e cabelo loiros poderiam deixar suas mensagens? Será que a cor de um ser humano representa sua evolução?

Discordando disso, O Caboclo das 7 Encruzilhadas, no dia 15 de novembro de 1908, rompeu com o Kardecismo e anunciou a fundação de uma nova religião onde o negro e o índio poderiam se manifestar! Essa religião se chamaria Umbanda e iria acolher a todos, independentemente de cor, classe social e crença. Disse o caboclo "Aprenderemos com os que sabem mais e ensinaremos os que sabem menos". Logo depois, se manifestou o espírito de um ex-escravo, chamado de Pai Antônio que ao lado do Caboclo das 7 Encruzilhadas deram início aos primeiros fundamentos da Umbanda no Brasil.

Apesar de toda essa história de dor, injustiça e sofrimento enfrentado pelos negros no Brasil, após passarem pela sofrida expiação, desencarnaram e alcançaram a evolução. Foram acolhidos por Zambi e Oxalá na Aruanda e hoje em dia baixam em nossos terreiros, trazendo a paz, a sabedoria e, principalmente ensinando-nos a importância  do amor ao próximo, da humildade e da caridade. É, sem dúvida alguma, uma lição grandiosa!


Devemos aos pretos velhos todos os conhecimentos dos Orixás, pois o culto à Eles nasceu no continente africano.

As sessões de pretos velhos é marcada pela calmaria que invade o terreiro. Uma sensação de paz e amor toma conta do ambiente, fazendo com que os filhos de fé sintam essa energia de luz e de sabedoria que se manifesta. 

Os atabaques são tocados de maneira mais leve, mais suave. Assim como com qualquer outra entidade, todo o respeito é prestado para com nossos vovôs e vovós.  Geralmente, tais entidades chegam arcadas, demonstrando o peso da idade e o sofrimento que tiveram. Todavia, é plenamente normal a manifestação de espíritos de pretos velhos que não estejam arcados.

Os pretos velhos quando manifestados, gostam de sentar em seu "toco" (um banquinho), fumar seu "pito" (cachimbo ou palheiro) e auxiliar aqueles que precisam. Com sábios ensinamentos, sabem tocar na ferida moral de cada filho de fé, ensinando a maneira correta de se viver, qual seja: Com amor ao próximo, com amor em Deus e com a prática constante da caridade.

Os pretos velhos não gostam de luxo. Preferem que seus médiuns estejam com a boa e velha roupa branca, miçanga e muita disposição para ajudar quem precisa. Atuam também no campo da cura, aliviando, com receitas simples e humildes, as dores dos enfermos que batem em nossas portas. 

Nossos vovôs e vovós também são "mandigueiros". Desmancham qualquer magia feita, tiram de cima do obsediado todas as cargas negativas e "maus olhados", além de abrirem os caminhos e dar muita proteção no dia-a-dia.

Geralmente, utilizam em seus benzimentos e trabalhos a arruda, o guiné, o rosário, o crucifixo, água com mel, vinho, cachaça, velas, fumo, etc.  

São entidades ligadas a Linha das Santas Almas e a vibração de Omulú, apesar de existirem pretos e pretas velhas de outros Orixás, como por exemplo,  a linha de Quenguelê de onde vêm pretos velhos de Xangô. Sua linha também é conhecida como "Yorimá".

Os pretos velhos representam a resignação, a humildade, a superação, o amor incondicional, a caridade desinteressada. Atendem a todos, independentemente da cor, classe social e religião e repudiam qualquer forma de promoção e cobrança.

Nossos vovôs e vovós também podem ser o guia chefe de um terreiro e comandar as sessões de desenvolvimento, apesar de tal encargo ser mais comum aos caboclos.

Os pretos velhos também são organizados em falages, nas quais, inúmeros espíritos se agrupam sob o mesmo nome.  As mais conhecidas são: Pai Joaquim; Pai Francisco;
Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Benedito; Rei Congo, Pai Anacleto, Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Cambinda; Vó Rita; Vó Rosa; Tia Catarina, Tia Luiza, Mãe Justina, etc.

Esses nomes são adicionados, geralmente, ao nome do local de onde viveram ou de onde vieram. Por exemplo: Pai João de Angola; Pai José de Aruanda; Mãe Maria de Minas; Pai João do Congo, Pai Cipriano das Almas e assim por diante.

Suas cores são o preto e branco e também o amarelo.

Sua saudação é "Adorei as almas!"
Suas oferendas são entregues, preferenciamente, no cruzeiro das almas. Levam cigarros de palha, café, água com mel, vinho, cangica, farofa, feijoada, incensos e velas amarelas ou pretas e brancas.

Seu dia do ano é o 13 de maio, dia da abolição da escravatura. 

Antes de passar os pontos cantados dessas entidades, quero compartilhar duas mensagens uma muito antiga, por muitos conhecidas, porém que permanece atual no dia-a-dia de nossos terreiros, além de retratar exatamente a forma de ser de nossos amados vovôs.  Outra, na verdade é um lamento, cantado pelo Ogan Tião Casemiro, que também retrata os sábios conselhos de nossos queridos pretos velhos. 

AS 7 LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO


"Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas deciam-lhe pela face, não sei porque contei-as...foram sete. 

Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei: 

- Fala meu Preto Velho, diz ao teu filho por que externas assim uma visível dor? 

E ele, suavemente respondeu: 

- Estás vendo esta multidão que entra e saí? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
- A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber.
- A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.
- A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando prejudicar aos seus semelhantes. 

- A quarta, aos frios e calculista que sabem que existe uma força espiritual, e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão. 

- A quinta, aos que chegam suave, com risos, o elogio na flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: "Creio na Umbanda, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso ou me curarem disso ou daquilo." 

- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente. 

- A sétima, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada: Foi a última lágrima, aquela que vive nos "olhos" de todos os Orixás. Fiz a doação dessas aos médiuns vaidosos, que só aparecem no centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem, que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual. 

Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma as sete lágrimas de Preto Velho."

LAMENTO

"Malei-me, meu vovô malei-me!
Nos livrai do cativeiro!
Estamos acorrentados, açoitados e escravizados,
cansados de sofrer o ano inteiro!

Ô Vovô luz divina!
Dai-nos a sua proteção!
É homem matando homem!
Irmão matando irmão!
Criança chorando, por um pedaço de pão!

Com lágrima nos olhos Vovô me abraçou!
 - Plante a Fé!
 - Semeie o amor!
 - E diga aos meus netos tenham paciência!
 - Já é feliz quem vive em paz com sua consciência! "

PONTOS


Segue abaixo alguns dos pontos cantados para chamar e louvar nossos vovôs e vovós. São pontos que retratam a vida sofrida do cativeiro e que trazem mensagens de paz, amor e esperança. Também cabe esclarecer que alguns pontos são escritos e cantados com "erros" de português propositalmente, isso é feito para retratar a forma com que nossos pretos velhos falam. 


PONTO 01


Abre este terreiro,
Abre este gongá!
Chegou Maria Conga,
E veio trabalhar!



Abre este terreiro,
Abre este gongá!
Chegou Maria Conga,
E veio trabalhar!


Vó Rita chegou!
Vó Rita chegou!
Enviada das estrelas, 
E da Lua, 
E do Cristo Redentor!


Trabalha Vó Rita
Em meu favor!



Trabalha Vó Rita
Em meu favor!


PONTO 02


Foi numa noite de luar!
Eu vi a Vó Rita chegar!
Ela estava tão serena,
Sentada em seu gongá!



Foi numa noite de luar!
Eu vi a Vó Rita chegar!
Ela estava tão serena,
Sentada em seu gongá!

E, rê,rê,rê ê

Ela veio trabalhar!
E, rê,rê,rê ê
Veio nos abençoar!



Quando o galo canta,
As almas se levantam,
E o mar recua!
Os anjos do céu dizem amém!
E a Vó Rita nos abençoa!


Nos abençoa!
Nos abençoa!
Vó Rita nos abençoa!


PONTO 03


O  barquinho de São Salvador,
Chegou na Bahia tão carregado!


O  barquinho de São Salvador,
Chegou na Bahia tão carregado!


Trouxe cravo, trouxe rosa,
A Vovó Rita que vinha de lá!


Trouxe cravo, trouxe rosa,
A Vovó Rita que vinha de lá!


PONTO 04


Pai João veio de Angola
E veio beirando mar!


Pai João veio de Angola
E veio beirando mar!

Oi Congo no terreiro
Congo veio saravá!

Oi Congo no terreiro
Congo veio saravá!

PONTO 05

Quenguelê, quenguelê Xangô!
Ele é filho da cobra coral!

Quenguelê, quenguelê Xangô!
Ele é filho da cobra coral!

Olha preto está trabalhando,
Olha branco está só olhando!

Olha preto está trabalhando,
Olha branco está só olhando!

Ó venha meu Pai João
Eu te chamo pra trabalhar!

Ó venha meu Pai João
Eu te chamo pra trabalhar!

E Pai João toma conta dos filhos,
E da sereia do fundo do mar! 

E Pai João toma conta dos filhos,
E da sereia do fundo do mar!

PONTO 06

Lá vem Preto Velho de Angola que é da nossa banda!
Lá vem vem Preto Velho de Angola que vem saravá!
Pedindo as forças divinas que vêm de Aruanda!
Num ponto bem firme e seguro para o seu gongá!




Lá vem Preto Velho de Angola que é da nossa banda!
Lá vem vem Preto Velho de Angola que vem saravá!
Pedindo as forças divinas que vêm de Aruanda!
Num ponto bem firme e seguro para o seu gongá!

Ê ê, Pai Oxalá!
Ê ê, Pai Oxalá!

Ê ê, Pai Oxalá!
Ê ê, Pai Oxalá!

Preto Velho foi escravo,
Mas teve um bom coração!
Agora não mais se lembra,
Do tempo da escravidão!

Protege filhos de fé!
Tem força no seu gongá!
Se alguma coisa acontece,
Invoca seu Orixá!

Ê ê, Pai Oxalá!
Ê ê, Pai Oxalá!

Ê ê, Pai Oxalá!
Ê ê, Pai Oxalá!

PONTO 07

Quem é aquele velhinho?
Que vem no caminho, andando de vagar?

Com seu cachimbo na boca,
Soltando fumaça e olhando pro ar?

Quem é aquele velhinho?
Que vem no caminho, andando de vagar?

Com seu cachimbo na boca,
Soltando fumaça e olhando pro ar?

Ele é do cativeito!
É Pai Benedito ele é mirongueiro!



Ele é do cativeito!
É Pai Benedito ele é mirongueiro!

PONTO 08

Na arueira de São Benedito!
Santo Antônio mandou me chamar!

Na arueira de São Benedito!
Santo Antônio mandou me chamar!

Pai Joaquim ê ê!
Pai Joaquim ê á!

Pai Joaquim ê ê!
Pai Joaquim ê á!

Pai Joaquim veio de Angola!
Pai Joaquim veio de Angola angolá!

Pai Joaquim ê ê!
Pai Joaquim ê á!

Pai Joaquim ê ê!
Pai Joaquim ê á!

PONTO 09

Pai Antônio quando vem da Bahia,
Ele traz estrela guia no peito!

Pai Antônio quando vem da Bahia,
Ele traz estrela guia no peito!

Quem deu, quem deu, quem dará!
Foi nosso Pai Oxalá!

Quem deu, quem deu, quem dará!
Foi nosso Pai Oxalá!

PONTO 10


As almas acenderam o candieiro!
As almas acenderam o candieiro!
As almas acenderam o candieiro!
Pra trazer a Mãe Justina aqui pro terreiro!


PONTO 11 


Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!



Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!


Linha de Congo no terreiro já chegou,
Preto Velho vem de longe,
Saravá meu Pai Xangô!


Povo de Angola, também veio pro gongá,
E já vai firmar seu ponto, a mandado de Oxalá!



Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!

Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!

E Pai Francisco, Pai Cambindo e Pai José,
Sempre vêm pra trabalhar, com amor e muita fé!

Linha Africana é de força e poder!
É corrente que não quebra!
Sempre luta pra vencer!

Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!

Quenguelê ê ê!
Quenguelê ê ê á!

PONTO 12

Sou filho de Umbanda!
Estou chegando agora!
Saravá Ogum, Iemanjá minha senhora!

Povo de Umbanda!
Salve a Estrela Guia!
Salve os Pretos Velhos que chegaram da Bahia!

Vou bater cabeça!
No pé do gongá!
Vou pedir axé, pra Ogum e Iemanjá!

PONTO 13

Saravá pra Vovó Catarina,
Que é a dona da gira no meu Terreiro!

Saravá pra Vovó Catarina,
E pra todas as almas do cativeiro!

Saravá pra Vovó Catarina,
Que é a dona da gira no meu Terreiro!

Saravá pra Vovó Catarina,
E pra todas as almas do cativeiro!

A Vovó Catarina do Congo é!
A Vovó Catarina do Congo á!
A Vovó Catarina que filhos de Umbanda vão saravá!

A Vovó Catarina do Congo é!
A Vovó Catarina do Congo á!
A Vovó Catarina que filhos de Umbanda vão saravá!

PONTO 14

Saravá Vovó Joaquina!
Saravá o seu gongá!
Ela vem de Aruanda!
Ela vem pra trabalhar!

Saravá Vovó Joaquina!
Saravá o seu gongá!
Ela vem de Aruanda!
Ela vem pra trabalhar!

Com suas mirongas!
E seu patuá!
Saravá Vovó Joaquina!
Na fé de Oxalá!

Com suas mirongas!
E seu patuá!
Saravá Vovó Joaquina!
Na fé de Oxalá!

PONTO 15

No tempo da escravidão!
Quando o senhor me batia!

No tempo da escravidão!
Quando o senhor me batia!

Eu gritava por Nossa Senhora, meu Deus!
Como a chibata doía! 

Eu gritava por Nossa Senhora, meu Deus!
Como a chibata doía! 

PONTO 16

Numa noite linda!
Que tinha luar!
Preto Velho orou à Zambi!
Pra cativeiro acabar!

Numa noite linda!
Que tinha luar!
Preto Velho orou à Zambi!
Pra cativeiro acabar!

Trabalha preto trabalhou!
Trabalha preto trabalhou!
Trabalha preto cativeiro acabou!

Trabalha preto trabalhou!
Trabalha preto trabalhou!
Trabalha preto cativeiro acabou!

PONTO 17

Preto na senzala bateu sua caixa e deu viva aiaiá!
Preto na senzala bateu sua caixa e deu viva oioiô!

Preto na senzala bateu sua caixa e deu viva aiaiá!
Preto na senzala bateu sua caixa e deu viva oioiô!

Viva aiaiá!
Viva oioiô!

Viva Nossa Senhora!
Cativeiro acabou!

Viva aiaiá!
Viva oioiô!

Viva Nossa Senhora!
Cativeiro acabou!

PONTO 18

É o vento que balança a folha, guiné!
É o vento que balança a folha!

É o vento que balança a folha, guiné!
É o vento que balança a folha!

Ééé Pai Guiné!
É o vento que balança a folha!
Ééé Pai Guiné!
É o vento que balança a folha!

PONTO 19

Lá vem Vovó descendo a serra com sua sacola!
Com o seu rosário e o seu patuá ela vem de Angola!

Lá vem Vovó descendo a serra com sua sacola!
Com o seu rosário e o seu patuá ela vem de Angola!

Eu quero ver Vovó!
Eu quero ver!

Eu quero ver,
Se filho de pemba tem querer!

Eu quero ver Vovó!
Eu quero ver!

Eu quero ver,
Se filho de pemba tem querer!

PONTO 20

Tudo que eu peço a Vovó ela faz!
Também o que peço ao Vovô ele faz!

Tudo que eu peço a Vovó ela faz!
Também o que peço ao Vovô ele faz!

E o que eu quero mais?
E o que eu quero mais?

E o que eu quero mais?
E o que eu quero mais?

Ele Rei de Aruanda!
Mas Vovó também manda!

Quando os dois pedem juntos,
Ninguém me passa pra trás! 

E o que eu quero mais?
E o que eu quero mais?

E o que eu quero mais?
E o que eu quero mais?

PONTO 21

Deixei o cachimbo no toco!
Mandei o moleque buscar!

Deixei o cachimbo no toco!
Mandei o moleque buscar!

Na hora da derrubada,
Meu cachimbo fiou lá!

Na hora da derrubada,
Meu cachimbo fiou lá!

PONTO 22

Vovó não quer, casca de côco no terreiro!
Vovó não quer, casca de côco no terreiro!

Pois faz lembrar dos tempos do cativeiro!
Pois faz lembrar dos tempos do cativeiro!

PONTO 23

Navio negreiro no fundo do mar!
Navio negreiro no fundo do mar!

Correntes pesadas na areia arrastar!
Correntes pesadas na areia arrastar!

A negra escrava se pois a cantar!
A negra escrava se pois a cantar!

Saravá minha Mãe Iemanjá!
Saravá minha Mãe Iemanjá!

Virou a caçamba de fundo pro mar!
Virou a caçamba de fundo pro mar!

E quem nos salvou foi Mãe Iemanjá!
E quem nos salvou foi Mãe Iemanjá!

Saravá minha Mãe Iemanjá!
Saravá minha Mãe Iemanjá!

PONTO 24

Estava na beira da praia!
No céu deu um clarão!

A ordem era de Aruanda!
Livrai os pretos da escravidão!

Foi de Oxalá a ordem suprema!
Mãe Iemanjá foi quem mandou!
Meu Pai Xangô escreveu lá na pedreira!
Pai Ogum cumpriu a ordem!
Pai Oxossi confirmou!

Hoje eu tenho alegria!
Hoje eu tenho alegria!
Hoje eu tenho alegria!

Preto Velho hoje é Senhor!

Hoje eu tenho alegria!
Hoje eu tenho alegria!
Hoje eu tenho alegria!

Preto Velho hoje é Senhor!

PONTO 25

Eu sou lá de Maçambique,
Meu batuque não repique,
Vim aqui pra trabalhar!

Quem quiser uma vida bela,
Acenda uma vela amarela,
Para vida melhorar!

E Preto Velho e Preta Velha,
Vêm chegando de mansinho,
Saravá Pai Oxalá!

Salve o Povo de Umbanda!
Salve toda nossa banda!
Salve todos os Orixás!

PONTO 26

Minha cachimba tem mironga!
Minha cachimba tem dendê!

Minha cachimba tem mironga!
Minha cachimba tem dendê!

Quem duvida da minha cachimba,
Que venha ver, que venha ver!

Quem duvida da minha cachimba,
Que venha ver, que venha ver!

PONTO 27

Negro está molhado de suor!
Mas é feliz porque Deus o libertou!

Negro está molhado de suor!
Mas é feliz porque Deus o libertou!

Ô Sinhá, Sinhá!
Segura a chibata não deixa beter!

Faz uma prece pra Negro morrer!
Negro não quer mais sofrer!

Ô Sinhá, Sinhá!
Segura a chibata não deixa beter!

Faz uma prece pra Negro morrer!
Negro não quer mais sofrer!

PONTO 28

Pombinho de Zambi!
Pombinho de Obatalá!

Pombinho de Zambi!
Pombinho de Obatalá!

Vai meu pombo branco,
Na senzala de Aruanda!
Vai buscar Pai João, 
Para trabalhar!

Vai meu pombo branco,
Na senzala de Aruanda!
Vai buscar Pai João, 
Para trabalhar!


PONTO 29


O navio apitou no mar!
A costa balanceou! 



O navio apitou no mar!
A costa balanceou! 

Da licença nego velho!
Eu quero é falar agô!

Da licença nego velho!
Eu quero é falar agô! 


PONTO 30


Lua vem,
Lua vai!
Fiz um batuque e nego não cai!


Lua vem,
Lua vai!
Fiz um batuque e nego não cai!

Sempre foi assim,
Desde a escravidão,
Nego no batuque sempre teve devoção!

Lua vem,
Lua vai!
Fiz um batuque e nego não cai!

PONTO 31

Bate tambor lá na  Angola,
Bate tambor!

Bate tambor lá na  Angola,
Bate tambor!

Pai João!
Bate tambor!

Pai José!
Bate tambor!

Bate tambor lá na  Angola,
Bate tambor!

Bate tambor lá na  Angola,
Bate tambor!



Pai Tomás!

Bate tambor!

Anacleto!
Bate tambor...

PONTO 32

Salve os pretos que estão em trabalho,
Com seus raminhos nas mãos!
Eles estão pedindo a Jesus!
Pra dar sua proteção!


Eles estão pedindo a Jesus!
Pra dar sua proteção!

PONTO 33

Eu tenho uma espada pra me defender!
Eu tenho uma flecha que luta por mim!
Tenho também um rosário bendito, 
Que traz Tia Júlia pra perto de mim!

Canção de ninar! 
Preciso que cantes pra mim!
Tia Júlia meu anjo bendito,
Estrela cadente que zela por mim!

Tu és a verdade!
Tu és a bondade!
Tu és de Oxalá uma força sem fim!

Tu és a verdade!
Tu és a bondade!
Tu és de Oxalá uma força sem fim! 

PONTO 34

Vovó Cambinda onde você mora?
Vovó Cambinda e de onde vem?

Moro na Umbanda junto com meu povo!
Venho de Zambi praticar o bem!

Vovó Cambinda qual é o caminho?
Pra ir à Zambi, diga por favor!

Vai pela estrada da fraternidade!
Fazer bondade!
Justiça e amor!

Vai pela estrada da fraternidade!
Fazer bondade!
Justiça e amor!

PONTO 35

Nega embalou!
Nega embalou!
Nega embalou o filho branco do senhor!

Nega embalou!
Nega embalou!
Nega embalou o filho branco do senhor!

Lá na senzala, escura e fria!
A sinhazinha, nega velha procurou!

Para embalar o sinhozinho!
Para embalar o filho branco do senhor!

Nega embalou!
Nega embalou!
Nega embalou o filho branco do senhor!

PONTO 36

Adorei as almas e almas me atenderam!
Adorei as almas e almas me atenderam!
Eram Santas Almas, lá do cruzeiro!
Eram Santas Almas, lá do cruzeiro!

PONTO 37

Eu andava perambulando!
Sem ter nada pra comer!
Eu pedi as Santas Almas para vir me socorrer!

Eu andava perambulando!
Sem ter nada pra comer!
Eu pedi as Santas Almas para vir me socorrer!

Foi as Almas que me ajudou!
Foi as Almas que me ajudou!
Meu divino Espírito Santo, 
Rogo a Deus nosso Senhor!
Foi as Almas que me ajudou!

Foi as Almas que me ajudou!
Meu divino Espírito Santo, 
Rogo a Deus nosso Senhor!

PONTO 38

Foi lá, no cruzeiro das Almas!
Aonde as Almas foi rezar!

Foi lá, no cruzeiro das Almas!
Aonde as Almas foi rezar!

As Almas choram de alegria quando os seus filhos combinam!
Também choram de tristeza quando não quer combinar!

As Almas choram de alegria quando os seus filhos combinam!
Também choram de tristeza quando não quer combinar!

PONTO 39

Um galhinho de arruda, 
Que a Vovó me deu!
Um  galhinho de arruda, 
Pra me proteger!

Um galhinho de arruda, 
Que a Vovó me deu!
Um  galhinho de arruda, 
Pra me proteger!

Eu agradeço a essa linda Preta Velha,
O galhinho de arruda que ela me ofereceu!

Eu agradeço a essa linda Preta Velha,
Que nas sua orações, ela nunca me esqueceu!

PONTO 40

Pai Joaquim cadê Pai André?
Tá na mata colhendo guiné!

Pai Joaquim cadê Pai André?
Tá na mata colhendo guiné!

Diga a ele pra quando vier,
Que suba as escadas sem bater o pé!

PONTO 41

Pai Benedito é preto, ô sa dona!
Ele mora no roseiral!

Pai Benedito é preto, ô sa dona!
Ele mora no roseiral!

Ele é preto e tem coroa, ô sa dona!
Ele é chefe de gongá!

Ele é preto e tem coroa, ô sa dona!
Ele é chefe de gongá!

PONTO 42

Filho, se suncê precisar!
É só pensar na Vovó!
Que ela vem te ajudar!

Filho, se suncê precisar!
É só pensar na Vovó!
Que ela vem te ajudar!

Pensa numa estrada longa, Zi fio,
Lá no seu jacuntá!
E numa casinha branca, Zi fio,
Que a Vovó tá lá!

Sentada num banquinho tosco, Zio fio,
Com sua rosária na mão!
Pensa na Vovó Luzia de Umbanda,
Fazendo oração!

Pensa na Vovó Luzia de Umbanda,
Fazendo oração!

9 comentários:

  1. Pai Joaquim cadê o Pai Mané
    Foi no mato apanha guiné

    Pai Joaquim cadê o Pai Mané
    Foi no mato apanha guiné

    Diga a Ele que quando vié que suba as escadas
    não bata com os pés

    Diga a Ele que quando vié que suba as escadas
    não bata com os pés

    ResponderExcluir
  2. olá! Boa noite, se possível eu gostaria de obter o endereço ou telefone da casa. Desde ja sou muito grata!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!
      Obrigado por participar!
      O telefone de nossa casa é 47 3642 7054!

      Abraço!

      Excluir
  3. Realmente tocou meu coração os pontos da vó Rita de Aruanda , tenho um apego muito grande a ela me emocionei :)

    ResponderExcluir
  4. Realmente tocou meu coração os pontos da vó Rita de Aruanda , tenho um apego muito grande a ela me emocionei :)

    ResponderExcluir
  5. Vem vem vem vovo rita de aruanda vovo rita vem com deus pra salvar filhos de umbanda

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião

T.U. Filhos da Vovó Rita

T.U. Filhos da Vovó Rita