sexta-feira, 14 de agosto de 2020

AS 7 LINHAS DA UMBANDA TRADICIONAL - 6ª LINHA - A LINHA DA DEMANDA

Este é o sexto de diversos textos onde vamos conhecer a fundo as 7 Linhas de Umbanda da perspectiva tradicional, ou seja, a configuração das 7 Linhas pela perspectiva dos velhos Umbandistas e primeiros estudiosos da religião.

Caso você ainda não tenha lido o texto onde abordamos a 5ª Linha de Umbanda, a Linha da Justiça, você pode ter acesso através desse link aqui: http://filhosdavovorita.blogspot.com/2020/08/as-7-linhas-da-umbanda-tradicional-5.html?m=1

Todas as informações trazidas aqui se baseiam nas obras de Leal de Souza, Lourenço Braga, Diamantino Fernandes Trindade, alguns autores Umbandistas contemporâneos e também experiências pessoais.

O propósito desses textos é buscarmos conhecer as raízes da nossa religião, entendendo de onde surgiu cada Linha, quais seus propósitos e especificidades, fazendo uma comparação com o que observamos atualmente nos terreiros.

Esperamos contribuir para o entendimento e esclarecimento dos irmãos de fé!


A Sexta Linha da Umbanda Tradicional - A Linha da Demanda


Nosso propósito com esse texto é aprofundar o conhecimento sobre os espíritos e falanges que compõem a sexta linha de Umbanda e também suas funções dentro do ritual.

Como explicamos no primeiro texto as 7 Linhas de Umbanda são uma forma de organização espiritual adotada nos terreiros de Umbanda a partir de 1908, onde os espíritos são agrupados em Linhas, Falanges, Legiões e Povos.

Essa estrutura foi baseada nas organizações militares Romanas antigas e foi se construindo e expandindo na medida que novos espíritos foram se aproximando da Umbanda.

Portanto, como uma verdadeira organização de batalha, as 7 Linhas de Umbanda foram estruturadas para que cada falange, legião e povo tenha uma função específica dentro do Ritual de Umbanda e quando agem em conjunto fazem com que o trabalho se desenvolva de forma fluída.

A linha de Demanda ou de Ogum é uma das mais cultuadas na maioria dos terreiros, justamente por tratar dos aspectos relacionados às nossas demandas emocionais, aflições e batalhas diárias.

É uma Linha que representa a conquista, a busca pela glória, a garra e o trabalho necessário para alcançarmos aquilo que queremos.

Essa linha também traz a força da SOBREVIVÊNCIA, ou seja, nos dá a força necessária para que nunca nos falte nada.

É uma Linha que nos leva cada vez mais a frente nos nossos objetivos, ela nos ajuda a abrir nossos próprios caminhos e prosperar independente de qualquer percalço que surja.

A força desse agrupamento nos mostra que já temos todos os recursos necessários para trabalhar, prosperar e avançar. 

Vamos conhecer mais sobre essa linha!

A regência da Linha:


Como já mencionado, toda Linha, Falange, Legião e Povo da Umbanda possui uma regência, ou seja, um Espírito ou Divindade responsável pelo comando e direcionamento daquele grupo de Espíritos.

Quem comanda a Linha da Demanda é São Jorge da Capadócia, militar e mártir da Igreja Católica que foi sacrificado em nome da Fé Cristã pelo Imperador Diocleciano.

Por mais que não existam registros de sua real existência, o “mito” de São Jorge o tornou um dos Santos mais populares do mundo sendo padroeiro de países como Inglaterra e Portugal e também de cidades como o Rio de Janeiro.

Sua história mais famosa conta que foi capaz de salvar a cidade de Sýlen na Líbia de um grande dragão que ameaçava a todos.

Em sua versão mais famosa Jorge enterra sua lança na garganta do Dragão, entretanto, existem versões que descrevem Jorge adentrando os portões da cidade montado e seu cavalo branco e conduzindo o dragão em uma coleira.

Seja como for, o Dragão nas mitologias daquela região representa os 4 elementos (Terra, Água, Fogo e Ar) e essa história expressa que Jorge foi capaz de dominar todas essas forças sendo capaz de ascender espiritualmente além das coisas materiais.

Outras interpretações sugerem que o Dragão representa Lúcifer (a origem do mal para a Fé cristã), o que faz dessa lenda uma representação do poder e domínio da Igreja Católica sobre o demônio.

Em terras brasileiras, esse Santo se tornou extremamente popular e faz parte do inconsciente coletivo da nação sendo na Umbanda sincretizado com o Orixá Ogum.


Ògún dentro do Culto Tradicional Yorubá é considerado um dos Orixás mais importantes e mais antigos.

É considerado o Orixá da Tecnologia e da Civilização e seu símbolo é o ferro. É dito que foi o Orisa que trouxe e Metalurgia ao mundo e por conta disso permitiu que os humanos deixassem de ser caçadores e coletores e criassem civilizações.

Ògún também é tido como Orixá da Guerra em terras brasileiras, porém no culto Tradicional Yorubá isso é questionável. Isso porque a palavra “guerra” em Yoruba se escreve Ogun (sem nenhum acento) enquanto que o Orixá Ògún se escreve com dois acentos.

Então pela semelhança nas palavras e pelo forte sincretismo com São Jorge, em terras brasileiras foi fortalecida essa associação entre Ogum e a guerra.
Para o culto tradicional, Ògún é antes de tudo o Orixá da CAÇA, sendo o comandante do Clã dos Caçadores. Esse clã é composto também por Òsóòsì (Oxossi) que no Brasil é considerado o Orixá que domina esse aspecto.


Além disso, no Culto Tradicional Yorubá, por mais contra intuitivo que pareça, Ògún é considerado o Orixá da JUSTIÇA. No Brasil, esse domínio foi atribuído a Orixá Xangô, como vimos no último artigo, entretanto, para os Yorubás a espada que traz a JUSTIÇA sempre esteve nas mãos de Ògún.

Tanto que quando um criminoso vai ser julgado na Nigéria, é costume ele colocar a mão sobre o ferro e jurar em nome de Ògún que falará somente a verdade.


Em suma, a importância de Ògún é absoluta pela quantidade de domínios que possui.

Além dos já citados é também considerado o Orixá da Fortuna, da Magia, do Trabalho, da Agricultura, da Medicina e de muitas outras coisas essenciais que garante a nossa SOBREVIVÊNCIA.


Na Umbanda, a força de ambas as divindades, Ogum e São Jorge, se mesclam e se manifestam através dos falangeiros da Linha de Demanda.


Quem compõem a linha:


A sexta Linha de Umbanda é composta por almas de antigos guerreiros de diversas etnias.

Como vimos anteriormente, nos primórdios da Umbanda quem abarcava os espíritos guerreiros era Falange de Santo Expedito, entretanto, com o passar do tempo isso mudou.

Espíritos de perfil guerreiros de diversas etnias passaram a se aproximar da religião e conjuntamente com a necessidade da Umbanda enfrentar demandas de uma maneira mais incisiva, a Falange de Santo Expedito se desdobrou na Linha de Ogum.

Os espíritos guerreiros ligados profundamente a Fé Cristã e Católica, ou seja, espíritos que assumem o arquétipo do Capelão, são agrupado na Falange de Santo Expedito enquanto que as outras almas guerreiras são abarcadas na Linha de Ogum fazendo um trabalho de embate.

Comumente os espíritos desta Linha são representados em suas imagens com aspectos de guerreiros romanos devido a resquícios dessa associação com Santo Expedito e também a São Jorge.


Além desses espíritos, também é comum encontrarmos Caboclos de Ogum que nada mais são que indígenas que trabalham sob a vibração deste Orixá.

Imagem de Ogum dos Rios


Curiosamente a grande maioria dos falangeiros de Ogum que se manifestam hoje na Umbanda, já se manifestavam anteriormente nas Encantarias Brasil afora, sendo chamados de “Os Soldados de Janaína”.

Por isso é muito comum também encontrar espíritos Encantados nesta Linha, espíritos Protetores da Mata de aspecto muito rígido, militar e que não costumam falar se limitando a bradar.

Os antigos Umbandistas, com sua fé católica muito enraizada, costumavam dizer que na “Corte de Ogum também vem São Miguel Arcanjo”, ou seja, a força protetora e guerreira desse Arcanjo também pode ser acessada através dessa Linha.

"São Miguel, São Miguel!
São Miguel está chamando! (2x)
Dai-me forças São Miguel
para chamar os Caboclos da Umbanda!"


Função da Linha:

Como o próprio nome diz, a Linha de Demanda trabalha no embate direto a todo tipo de demanda, feitiço ou agressão espiritual feita à Umbanda ou seus adeptos.

Essas entidades são OS VERDADEIROS GUARDIÕES E SENTINELAS da religião.

Apesar de algumas vertentes atuais de Umbanda, buscaram associar a figura de “guardião” aos compadres Exús, devemos lembrar que as 7 Linhas de Umbanda em um primeiro momento foram configuradas para funcionar SEM A NECESSIDADE DO TRABALHO DOS EXÚS!

As entidades chamadas Exús, oriundas das Kimbandas e Quimbandas, se aproximam posteriormente quando são convidados a fazer alguns trabalhos pontuais no combate a forças negativas.

Essas entidades foram se aproximando cada vez mais da religião até chegarem ao ponto de trabalharem concomitantemente com os falangeiros de Ogum nas defesas e combates espirituais como vemos hoje em dia.

Entretanto, apesar de realizarem trabalhos em conjunto, a função de Guardião da Umbanda é feita por Ogum.

Isso ocorre, pois como veremos em textos futuros, os Exús vêm de uma religião específica, com um conjunto de regras morais e éticas que muitas vezes difere das regras ditadas pela Umbanda

Portanto, NA UMBANDA, os Exús trabalham sob as ordens dos falangeiros de Ogum para que ajam sob A Lei de Umbanda em situações específicas onde sua ação é necessária.

Em uma analogia simples, os Falangeiros de Ogum seriam “Os Policiais” enquanto que os Exús atuariam como um “Esquadrão Anti-Bomba” sendo chamados para desmanchar trabalhos específicos de grande complexidade.

Portanto, podemos concluir que a Linha da Demanda realiza a proteção do terreiro e dos médiuns quando evocados para isso.

Como verdadeiros guardiões da Umbanda essa é a Linha que tradicionalmente abre os trabalhos de Umbanda permitindo que as outras entidades possam adentrar o recinto e se manifestar.

Além disso, as entidades dessa Linha nos ajudam a vencer nossas demandas internas e alcançar nossos objetivos. Nos dão forças nas nossas batalhas diárias, dando persistência para vencermos a cada dia.

São especialistas em “Abrir nossos caminhos”, ou seja, em momentos em que lutamos para sobreviver eles nos ajudam a encontrar formas de progredir e sair de situações penosas.

Também são entidades extremamente rígidas e que exigem uma moral e ética alinhada aos Umbandistas. Eles nos instigam a “Firmarmos nossa Bandeira” , ou seja, a mantermos nosso posicionamento e nos mantermos fiéis aos nosso valores independentes das circunstâncias.

Espiritualmente, eles são um dos “Executores” da Lei de Umbanda, ou seja, são entidades que fazem com que as regras ditadas pela religião sejam cumpridas à risca.

As falanges que compõem a Linha da Demanda

A primeira falange - Ogum Beira Mar:


A primeira falange da Linha de Ogum é comandada por Ogum Beira Mar.

Ogum Beira Mar é o grande Marechal de Guerra, o Principal do Falangeiros Ogum, sendo cultuado inclusive em cultos Caribenhos, Cubanos e nas Encantarias Brasil a fora.

É tido tradicionalmente como uma entidade que atua na orla marinha rondando à beira da praia. Muitas vezes é avistado como um guerreiro que está na proa de um navio olhando fixamente ao mar, como se estivesse vigiando aquela imensidão sem fim.

É conhecido em diversos cultos por ser uma força muito poderosa na busca pela fortuna.

Da sua linha se manifestam vários Encantados marinhos e almas de velhos guerreiros que viveram no mar, algo que nós hoje associaremos aos “Fuzileiros Navais”, ou seja, espíritos que em vida se dedicaram a defender as costas contra invasores.

Na Umbanda essa falange é associada a energia da Orixá Iemanjá e é compostas pela maioria das entidades que popularmente se manifestam nos terreiros de Umbanda.

Alguns falangeiros que trabalham sobre as ordens de Ogum Beira-Mar são: Ogum da Lua ou Ogum 7 Luas, Ogum 7 Ondas, Ogum Marinho ou Ogum 7 Mares, Ogum 7 Estrelas, Ogum Matinata, Ogum 7 Espadas, Ogum Delê ou Ogum de Lei, Ogum Gererê dentre outros.

É uma falange muito presente nos terreiros de Umbanda e geralmente costumam trabalhar incorporados nas giras fazendo a proteção do local e abrindo caminho para a manifestação das outras Linhas.

A segunda falange - Ogum Rompe Mato


A segunda falange é comandada por Ogum Rompe-Mato, entidade muito ligada ao povo das matas e a Linha de Oxossi.

Geralmente é confundido com o Caboclo Rompe-Mato, entidade que está inserido na falange do Caboclo Araribóia na Quarta Linha.

É tido como um Ogum muito rígido e guerreiro. É representando, ao contrário dos outros Oguns, com roupas tradicionais indígenas ao invés da tradicional vestimenta romana.

Este Ogum é tido como um especialista em resoluções rápidas, ou seja, é evocado quando precisamos lidar com alguma demanda ou dificuldade de maneira acelerada.

É dito que está falange consegue comandar os espíritos da mata de forma a colocá-los com sentinelas e protetores de casas e terreiros.

Alguns dos falangeiros que trabalham sob o comando de Ogum Rompe-Mato são: Ogum Pena Vermelha, Ogum Pena Azul, Ogum da Pedreira, Ogum Peito de Aço, Ogum da Estrada dentre outros.

A terceira falange - Ogum Iara



A terceira falange da Linha de Ogum é comandada por Ogum Iara.

Essa entidade trás o nome da Encantada brasileira Iara e não por coincidência trabalha conjuntamente com a Falange de Oxum.

Ogum Iara está diretamente alinhado com os povos dos rios, cachoeiras e lagos e é muito poderoso em aspectos de cura, cuidado e revitalização.

Tradicionalmente é evocado para lidar com batalhas de forma DIPLOMÁTICA, ou seja, onde através da força da argumentação conseguimos vencer sem a necessidade de lutar.

Entidade que também é muito presente das Encantarias Brasil a fora, Ogum Iara está inserido fortemente na cultura brasileira e costuma guardar os pontos de força da mata e dos rios.

Os falangeiros mais conhecidos de Ogum Iara são o Sr. Ogum Beira-Rio, Ogum 7 Lagoas, Ogum dos Rios, Ogum Caiçara, Ogum Menino dentro outros.


A quarta falange - Ogum Megê:

A quarta falange da Sexta Linha de Umbanda é comandada pelo Sr. Ogum Megê.

A partir desta quarta falange, começaremos a observar um fenômeno interessante.

Tradicionalmente a partir dessa falange, os Pais de Santo mais antigos evitavam a incorporação desses Oguns se limitando a trabalhar apenas EVOCANDO tais espíritos.

Isso acontece pois a partir da falange de Ogum Megê, no entendimento mais antigo, existe um trânsito constante entre “A Direita e a Esquerda”, ou seja, esses falangeiros tendem a trabalhar com energias muito mais densas e que podem desestabilizar o campo energético de médiuns menos experientes.

Hoje em dia, temos a popularidade de uma entidade chamada Ogum-Xoroquê que é tido como uma entidade “meio Ogum e meio Exu” e portanto faz o trânsito entre as duas bandas.

Entretanto, tradicionalmente, vemos que isso já ocorria nas falanges de Ogum antes mesmo do advento ou aparição dessa entidade.

O que nos faz pensar sobre a real existência dessa entidade, visto que ela não existe no culto tradicional Yorubá… (Na visão dos sacerdotes do Candomblé Jeje, Sòhòkwè não é nem Èsú nem Ògún e, sim um vòdún independente, com culto próprio e de características próprias que acabou por ser fundido a cultura desses dois òrísás por ter coisas em comum. Nesse link https://ocandomble.com/2011/04/30/vodun-sohokwe-xoroque/ você poderá conhecer mais a fundo a visão Jeje sobre o vodum Sòhòkwè).

Seja como for, Ogum Megê é tido como o Guardião da calçada dos cemitérios. Eles realiza a CONTENÇÃO desse local, mantendo lá dentro tudo que deve ficar lá.

É uma entidade que comumente também se manifesta em cultos como a Quimbanda o que mostra sua profunda relação com os Exús.

Suas oferendas tradicionais são feitas na calçada do cemitério e costumam levar pipocas com dendê.

Suas cores são o vermelho, branco e preto e seus falangeiros são constituídos pelos povos Megês, ou seja, almas de antigos guerreiros escravizados africanos.

Seu principal falangeiro é o conhecido Ogum das Almas.

Uma curiosidade é que algumas pessoas associam uma entidade chamada Ogum de Ronda a essa falange, entretanto, existem alguns autores afirmam que Ogum de Ronda não é uma linha em si, mas sim uma FUNÇÃO de Ogum.

Ou seja, Ogum de Ronda, significa que Ogum ESTÁ de Ronda e não que existe uma linha com esse nome.

Provavelmente isso foi uma confusão iniciada nos primórdios da Umbanda e que se popularizou com o tempo dando “origem” à uma nova linha de Ogum.

A quinta falange - Ogum Malê

A quinta falange de Ogum é comandada por uma entidade chamada Ogum Malê ou Ogum Malei.

Está falange está diretamente ligada ao povo Malê que foi escravizado e trazidos para as terras brasileiras.

Geralmente se apresentam como guerreiros vestidos com roupas tradicionais de guerreiros do deserto e fortemente armados. Representando seu aspecto feroz de guerra e embate.

A entidade mais notória dessa falange foi o próprio Orixá Mallet ou Orixá Malê, que foi uma das entidades que ao lado de Pai Antônio e o Caboclo das 7 Encruzilhadas ajudou a moldar o culto de Umbanda.

Orixá Mallet é tido com o “Primeiro Ogum de Umbanda”. Ele foi o espírito comandante nas proteções da Tenda Nossa Senhora da Piedade, visto que Zélio Fernandino de Morais não trabalhava com os Exus e Pombagiras.

Essa é uma falange extremamente feroz no combate a demandas, feitiços e aos feiticeiros em si.

Quem se interessar em conhecer mais profundamente os Povos Malês sugerimos que assista a essa aula do Babá Mario Filho:


Nela ele explica a profunda influência dos povos islâmicos na Umbanda e pode te ajudar a traçar um paralelo entre essas entidades que estamos estudando.

A sexta falange - Ogum Naruê


A Falange de Ogum Naruê é uma falange de antigas almas africanas que trazem um aspecto feiticeiro muito latente. Trabalham combatendo feitiçaria pesada e fazem um cruzamento muito estreito com os Povos das Almas de Kimbanda.

O combate a Kiumbas e o encaminhamento de espíritos são as especialidade dessas entidades. Entram em embate direto com forças maléficas e não costumam dar conselhos, apenas atuam quando extremamente necessário.

É uma Linha que os antigos Umbandistas tinham certo receio em incorporar, devido a densidade que essas entidades trabalham.

A Sétima falange - Ogum Nago


A sétima falange da Linha de Ogum é comandada por Ogum Nagô.

Essa falange abarca uma grande gama de espíritos guerreiros africanos tanto de origem Nagô-Yorubá quanto de origem Bantu (Congo e Angola)

Ogum Nagô é conhecido por fazer um trânsito muito forte com os espíritos de Kimbanda, mais especificamente com o Povo de Ganga, um grupo de espíritos muito temidos na Quimbanda Tradicionais devido a sua ferocidade.

O povo de Ganga geralmente é facilmente identificado tanto pela ferocidade em suas manifestações como em seus pontos riscados, onde trazem desenhado uma espada curva muito semelhante a bandeira de Angola.

A Falange de Ogum Nagô é muito evocada para enfrentar magias e ataques PESADOS aos terreiros, consulentes e médiuns.

Devido a esse trabalho de lidar diretamente com espíritos rústicos, agressivos e maldosos essas entidades tem a peculiaridade de se apresentar como figuras “Totênicas”, ou seja, metade homem e metade animal.

Geralmente se apresentam como Touros ou Bufalos na parte de cima com pernas humanas embaixo, e fazem isso com a intenção de causar medo a esses seres trevosos.

Por conta desse aspecto “estranho” é muito difícil encontrar imagens de cera de Ogum Nagô e seus falangeiros.

É uma falange muito que dificilmente vai trabalhar incorporada na Umbanda, se limitando apenas a trabalhar no astral quando evocadas para isso.

Trabalho prático da Linha:

Como visto anteriormente as falanges de Ogum são evocadas tanto para proteção quanto para abertura de caminhos.

Seu trabalho se desdobra em diversas ações que visam combater o mal e os inimigos da religião e do adeptos.

Podemos evocar essa linha nos momentos de aflição e caminhos fechados com o intuito de que ela nos traga ferramentas, mais trabalho, mais energia e mais garra para que NÓS MESMOS possamos romper aquela circunstância e avançar.

Pedir caminhos abertos a Ogum é pedir MAIS TRABALHO, MAIS ESFORÇO e MAIS DISCIPLINA, afinal os caminhos não se abrem sozinhos.

É importante salientar que nenhuma entidade ou guia abrirá os nossos caminhos. Eles simplesmente nos mostram oportunidades que não estávamos enxergando, nos mostram as ferramentas que JÁ temos para vencer… 

Mas no final, somos nós mesmos que temos que trabalhar para abrir nossos caminhos e prosperar.

Portanto, as Linhas de Ogum devem ser evocadas com sabedoria, nos momentos em que temos certeza que estamos sendo atacados seja espiritualmente ou fisicamente.

Não devemos apelar para essas entidades sem a devida necessidade, afinal seu perfil de trabalho é de combate e não devem ser evocados para tratar situações fora desse escopo. Antes de rogar a Ogum por caminhos abertos tenha certeza que você está disposto a TRABALHAR por ele…

Isso é uma distinção fundamental para honrar o sagrado que essa linha representa!

Observamos na atualidade que o conhecimento sobre o trabalho e a atuação dessas falanges estão sendo esquecidos ou deixados de lado. Hoje, para o umbandista moderno, as expressões "caminhos" e "guardiões" são sinônimos de Exu. Contudo, como já dissemos acima, na formação da Umbanda, Exu desempenha funções muito específicas, competindo à Linha de Ogum a guarda dos templos, a abertura dos caminhos e o combate nas demandas.

Que possamos, através desse conhecimento, manter viva a tradição da Umbanda, deixando de lado todo modismo e invencionices. 

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Autor: Lucas Martins
Revisão: Jefferson L. Grossl

Fontes:

“O Espiritismo, a Magia e as 7 Linhas de Umbanda - Leal de Souza”
“O Ritual do Rosário das Santas Almas Bendita - Pai Juruá”
“Trabalhos de Umbanda ou Magia Prática - Lourenço Braga”
“As 7 Linhas de Umbanda - Histórico e Evolução - Douglas Rainho”
“Organograma Umbandista - Linha, Falanges e Legiões - Douglas Rainho”
“As 7 Linhas de Umbanda - Falanges e Entidades - Carlos Zeferino’
"A História da Umbanda no Brasil - Diamantino Fernandes Trindade".

T.U. Filhos da Vovó Rita

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