“QUEM
É ESSE ORIXÁ TÃO LINDO,
QUE
VEM NO TERREIRO PARA GUERREAR?
SARAVÁ
PEMBA, SARAVÁ ESSE ORIXÁ!
SARAVÁ
O SEU PONTEIRO E A RODA PRA FIRMAR!”
É
com esse ponto raiz que daremos início ao estudo sobre os pontos riscados na
Umbanda.
O
ponto riscado é um fundamento que está na Umbanda desde o seu nascimento. Mais do que simples desenhos, os pontos riscados são símbolos sagrados, além de ser um dos elementos que demonstram a autenticidade da
incorporação.
A
entidade que realmente está incorporada em seu médium deve passar seu ponto
riscado e ponto cantado os quais serão confirmados pela entidade chefe da casa.
Não
existe entidade na Umbanda que não risque ponto. De exu à ibeijada todas as
entidades, se entidades de verdade, devem riscar e firmar seu ponto.
É
através dele que a entidade indica sua origem e linha de trabalho e busca as
energias para o cumprimento de sua missão.
Obviamente
que um médium em desenvolvimento não terá suas entidades riscando ponto da
noite para o dia. Assim como o desenvolvimento mediúnico, é algo a ser
trabalhado a longo prazo, pois, só se risca o ponto completo a entidade que
está “firme”, ou seja, que já tem um domínio maior sobre a matéria do médium.
O
médium em desenvolvimento, muitas vezes sem notar, passa por inúmeras
experiências. Às vezes aparecem símbolos em sua mente, sonham com pontos
riscados e cantados, etc. Essas experiências nada mais são do que a
espiritualidade preparando o médium para o desenvolvimento. Como já foi tratado
em inúmeros textos, o desenvolvimento mediúnico não ocorre apenas dentro do terreiro,
mas ele é constante em nossas vidas. Por tal razão o médium deve estar sempre
em sintonia com a espiritualidade, a fim de contribuir para o próprio
progresso.
Quando
se vê “médiuns” em que suas “entidades” tremem ao riscar o ponto, ou “rabiscam”
a tábua com símbolos indefinidos ou até mesmo se negam a riscar o ponto, é um
evidente sinal que seu desenvolvimento ainda não está completo. Que ainda
possuem uma consciência que interfere na vontade entidade.
A
entidade quando de fato incorporada, risca sem medo e sem dúvida, pois ela
conhece o ponto a ser riscado. Falta nas situações apontadas acima, sintonia entre
o médium e sua entidade e até mesmo o próprio desenvolvimento do médium.
O
médium jamais deve forçar sua entidade a nada. Muitas vezes o médium na pressa
de “se desenvolver” realiza atos que apenas o irão expor. Quando chegado o
momento de riscar seu ponto a entidade irá fazer sem qualquer hesitação.
Qualquer interferência do médium na incorporação é prejudicial, mesmo nos casos
da mediunidade tida por consciente.
Muitas
vezes, a entidade, quando entende que já chegou momento, começa seu ponto, com,
por exemplo, uma flecha, uma folha, um raio, etc., e o deixa aberto. Não se
trata do seu ponto riscado, mas sim de seu começo. Com o passar do tempo ela
irá completando até dizer que está pronto. O circulo ao redor da tábua se dá
apenas após a confirmação do ponto, sendo, geralmente, feito pela primeira vez
pela própria entidade chefe.
Já
os médiuns graduados, estes já passaram pelo desenvolvimento inicial, por isso
suas entidades riscam por completo sem qualquer hesitação. Se a hesitação
houver, é sinal que seu desenvolvimento também não foi completo ou está
inadequado para a formação que possui.
Dessa
forma, verifica-se que apenas após a entidade riscar seu ponto e ele for
confirmado pelo guia chefe da casa, é que a entidade estará de fato
incorporada. Por essa razão é totalmente equivocado a utilização de materiais
pela entidade antes de sua confirmação.
Por
exemplo, utilização de capa e chapéu para exu, bengala para preto velho, bicos
e enfeite para as crianças, ciganos, etc., por “entidades” que não riscaram o
ponto. Ora, se ela não riscou ponto, não se sabe quem é, não se sabe se de fato
é a entidade ou se a própria cabeça de médium.
Nem todo Exu usa capa! Nem todo preto velho usa bengala! Nem toda
criança usa enfeites e bico! Por essa razão esses elementos só poderão ser
utilizados pelo médium em que a entidade riscou e teve seu ponto confirmado,
pois somente aí ELA poderá escolher de fato os elementos que deseja utilizar em
seu trabalho e não o médium.
Também
é desaconselhado o médium em desenvolvimento procurar na internet pontos
riscados ou comprar os famigerados livros de pontos riscados. O ponto riscado é
algo individual de cada entidade. Como já visto em estudos anteriores, mesmo que
duas entidades pertençam a mesma falange, como por exemplo do Caboclo Sete
Flechas, raramente o ponto dessas entidades serão idênticas. Haverá sim
semelhanças, mas cada espírito terá suas peculiaridades.
O
ponto riscado, como dito acima, virá com naturalidade, com o tempo e não da
noite para o dia como pensam alguns. A pressa só atrapalhará o sadio
desenvolvimento do médium.
O
médium não deve se sentir menosprezado por que sua entidade não riscou ponto. O
desenvolvimento mediúnico não é igual para todos, pois cada pessoa possui a
mediunidade em um determinado nível sendo alguns mais aguçados que outros. Como
dito acima, deve ter paciência e buscar o correto desenvolvimento passo a
passo.
Os
pontos riscados além de identificar a entidade, poderão ser utilizados para
descarregos, firmezas, amacis, cura, segurança, etc. São pontos que a entidade,
após sua confirmação, utilizará em seus trabalhos. Cada símbolo, cada risco tem
um significado o qual deve ser explicado pela entidade que o risca.
As
pembas com que eles são riscados, conforme já explicado no estudo sobre elas,
vão depender da linha que a entidade trabalha e do objetivo que está se
riscando.
Esse
é um fundamento que não deve se perder! Nasceu com a Umbanda e nela deve
permanecer. Têm-se relatos de terreiros que se dizem de Umbanda, em que não se
é riscado ponto. Trata-se de completo absurdo! O fato de não se riscar ponto
está abrindo campo para mistificações, além de comprometer a própria segurança
da casa.
Para
encerrar, como sempre é dito em nossa casa, para exemplificar a importância do
ponto riscado: “sentar no chão, comer doce e pedir benção é fácil, qualquer um
faz sem precisar estar incorporado! Mas riscar seu ponto, confirmá-lo e dar seu
ponto cantado, apenas as verdadeiras entidades irão fazer!”
“Umbanda
tem fundamento e é preciso preparar!”
